Corregedoria da PM do Piauí vai analisar se abre processo disciplinar contra o policial. Quadrilha especializada em fraudes recebia pagamentos de até R$ 70 mil.
Candidatos pagavam até R$ 70 mil para quadrilha que fraudava concursos em PE; policial do PI foi preso — Foto: Divulgação/PCPE
Um cabo do 20º Batalhão da Polícia Militar de Paulistana (PI), preso suspeito de participar de um esquema de fraudes nos concursos do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça de Pernambuco, pode ser expulso da PM do Piauí, de acordo com a corregedoria da corporação no estado. A atuação específica dele no esquema ainda não foi informada. O g1 procura a defesa dele.
O tenente-coronel Richarle França, comandante do 20º BPM, afirmou que o cabo foi preso em Petrolina (PE). O batalhão recebeu os documentos da prisão, enviados pela Polícia Civil de Pernambuco, e vai enviá-los para a corregedoria.
Segundo o coronel Newmarcos Pessoa, corregedor da PM do Piauí, o órgão vai analisar a documentação e decidir se abre um conselho disciplinar para investigar o comportamento do policial militar.
O conselho disciplinar é composto por três oficiais da corporação, que apuram o caso internamente e dão direito de defesa ao policial investigado.
"Se realmente for confirmado a culpabilidade ou o envolvimento dele nesse tipo de crime, independentemente do processo civil que vai correr lá [em Pernambuco], um processo disciplinar vai ser aberto aqui para analisar a permanência ou a expulsão dele da PM", disse o coronel ao g1.
Como era o esquema de fraudes
Duas operações da Polícia Civil de Pernambuco, realizadas na quarta-feira (25), prenderam o líder e vários membros de uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos.
Os criminosos atuaram nos certames do Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), cujas provas foram aplicadas em 2025.
Segundo a Polícia Civil, os candidatos pagavam até R$ 70 mil para contratar a quadrilha que oferecia diversos serviços, como cópias de gabaritos, "clones" – que são pessoas que vão no lugar do candidato fazer a prova – e dispositivos de transmissão.
Entre os equipamentos estão pontos eletrônicos e celulares adaptados para não serem reconhecidos pelos detectores de metais.
A PCPE não informou quais concursos e quais estados foram alvos dos suspeitos, pois as investigações seguem em andamento.
Apesar disso, informou que ao menos quatro servidores de segurança pública participaram do esquema, sendo três policiais militares e um guarda municipal. Entre o grupo, três eram membros da organização e um, cliente.
Fonte: G1/PI